A eleição para a vaga do falecido conselheiro Ursicino Queiroz no Tribunal de Contas do Estado (TCE) pode resultar num racha na bancada governista na Assembléia Legislativa. O PT, com as bênçãos do governador Jaques Wagner, apresentou a candidatura do deputado Zilton Rocha, enquanto o deputado Leur Lomanto Júnior, líder do PMDB, está articulando o nome de seu pai, ex-deputado federal Leur Lomanto, atualmente ocupando uma diretoria da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil.
A disputa é conseqüência da primeira indicação para o TCE, em décadas, a ser feita com liberdade, pois antes os nomes vinham carimbados do Palácio de Ondina. Aparentemente julgando a candidatura de Zilton fraca no plenário, os peemedebistas partiram para a luta em campo aberto, chegando-se ao ponto de uma conversa, ontem, entre o deputado federal ACM Neto e o ex-deputado Leur.
“Será o primeiro bate-chapa no atual governo e também a primeira vez em que uma bancada peita o governador no primeiro ano de mandato”, afirmou um assessor qualificado da Assembléia, convicto de que Jaques Wagner tem preferência por Zilton. Um deputado governista, por sua vez, disse que, em caso de confronto, é certo que o PMDB, com seus sete parlamentares, sairá da base, apressando a adesão das bancadas do PR e do PP.
O líder da minoria, Gildásio Penedo Filho, disse que recebeu as postulações de Zilton Rocha e de Leur Junior, em nome do pai, e que as submeterá à decisão da bancada, lembrando que também são candidatos o governista Paulo Câmera (PTB) e o oposicionista Carlos Gaban. Ele esclareceu que não defendia exatamente “um nome da Assembléia” para o cargo, mas um que tivesse o apoio da Casa. Outro parlamentar da base governista defende a candidatura do ex-deputado Leur, “que, pela vida política e pelo relacionamento que desenvolveu em sete mandatos de deputado federal, tem o apoio em diversas bancadas do governo, contabilizando votos no DEM, PR e PP”.
Os opositores da candidatura de Zilton Rocha criticam, reservadamente, o “radicalismo” do parlamentar petista, característica que teria queimado seu nome quando, no início do ano, foi lembrado para a presidência da Assembléia. Indagado sobre o significado da palavra, um deles afirmou: “Ele é o único deputado que não usa o carro oficial, numa atitude que parece um falso moralismo”. O carro em questão é um “Focus” com que o Bradesco, na legislatura passada, após a negociação que permitiu ao banco continuar administrando as contas de salários e os recursos da AL, ofereceu, para uso oficial, a cada um dos 63 deputados. Zilton nega o “moralismo” e assegura que, embora não use o “Focus”, utiliza um “Santana”, que o servia na liderança do PT e agora o serve na vice-liderança do governo. Quanto a ser “radical”, Zilton acha que é conceito “de alguém que tem má vontade” com ele, a quem não identifica, mesmo porque considera que se dá bem com todos os colegas deputados.” Especulações vão surgir até o dia da eleição”, arrematou, “mas tenho certeza de que jamais vi qualquer ato de rejeição contra mim.
Até na oposição tenho amigos que me apóiam. Se for o escolhido, espero honrar a Assembléia como seu representante no TCE”.
*fonte: Tribuna da Bahia (Por Luis Augusto Gomes)
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