Em três anos, 30 novas drogas são identificadas pela polícia baiana

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Com 50 vezes mais potência do que a heroína, o medicamento fentanil foi a causa da morte do cantor Prince no ano passado. A substância que era usada como anestésico, já chegou ao Brasil e foi apreendida na Bahia. O fentanil faz parte do grupo das quase 30 “novas” drogas que foram identificadas pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) em apreensões na Bahia nos últimos três anos.

Todas são sintéticas e se apresentam das mais diversas formas: comprimidos coloridos, cristais, microsselos e pó. Segundo a perita criminal Marisa Fontainha de Souza, a maior parte das substâncias é apreendida no interior do estado, principalmente na região Sul. “É onde acontecem essas festas raves, que reúnem pessoas do mundo todo e que trazem na bagagem essas drogas. Elas são mais comuns na Europa, não são fabricadas aqui no Brasil”, afirmou.

Segundo o diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), Jorge Figueiredo, no ano passado, quatro produtores deste tipo de festas foram presos e 740 comprimidos apreendidos. Ainda de acordo com ele, a maior parte das drogas sintéticas vem de São Paulo e do Espírito Santo.

As apreensões acontecem após denúncias. “Usamos cães farejadores que possuem treinamento específico para droga sintética e atuamos em áreas por onde essa droga entra no estado, como é o caso de aeroportos, estradas, ferryboat e pelos correios”, explica Figueiredo.

As primeiras drogas “incomuns” começaram a aparecer no DPT em 2011, mas a identificação precisa não era possível. Há quatro anos, o laboratório conta com três cromatógrafos – que fazem a comparação com o banco de dados disponível e delimita a qual substância pertence a amostra analisada.

Alucinógenos

A maior parte das amostras analisadas e identificadas pelo DPT tem efeito alucinógeno semelhante ao do LSD e ecstasy – mas ambas já começam a aparecer com menos frequência no laboratório.

“O fentanil tem efeito 50 vezes mais que heroína. Essa droga começa a ser usada de forma abusiva. Não é detectado só na Bahia. Está sendo comum achar em outros estados do país”, completa Marisa.

Segundo o coordenador do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad/Ufba), Antônio Nery, a maior parte das substâncias é conhecida – apenas começaram a ser apreendidas e identificadas pela polícia. “As substâncias não são novas, talvez seja novo para a polícia que começa a fazer a triagem. Mas elas são de grande potencial de risco para a vida, são estimulantes associados a outras substâncias”, afirma.

Morte

Dessas “novas” drogas, as que têm sido identificadas com maior frequência são 25H-NBOMe e NBOMe. A primeira, há dois anos, matou um estudante da Universidade de São Paulo (USP), e causa diversos efeitos colaterais: formigamento, náuseas e vasoconstrição. O estudante morreu após ingerir a substância e cair na piscina da universidade, onde se afogou. Na Bahia, ainda não há registros de mortes por causa do uso dessas drogas sintéticas.

Algumas das substâncias são de fácil comercialização na internet, já que também são usadas como medicamentos. Outras, como a U-47700 foram excluídas do mercado farmacêutico após cientistas descobrirem os efeitos extremos da composição, mas continuam sendo vendidas de forma clandestina.

“É um caso de saúde pública, muitas pessoas estão comprando sem saber o que é. Pode comprar achando que é ecstasy ou LSD e ser outra substância, com outros efeitos”, alerta a perita Marisa.

Para o diretor do Draco, o uso das drogas que são vendidas como medicamentos é uma maneira de burlar a prisão. “É uma técnica para burlar a prisão. Quando o DPT não encontra a composição do material apreendido na listagem de drogas da Anvisa, acaba ocorrendo o relaxamento da prisão”, afirmou.

Identificação

Para identificar as drogas apreendidas pela polícia, o trabalho é minucioso – o processo pode durar meses. Drogas mais comuns como maconha, cocaína e crack já possuem testes de constatação, que reduzem o tempo dessa identificação.

“Pelo visual já conseguimos identificar mais ou menos e fazemos o teste de constatação, que comprova. Ainda assim, todas as amostras são colocadas nos cromatógrafos, que dão o resultado final”, explica a perita Márcia Portela. No caso da cocaína, o tempo de identificação é de cerca de 10 minutos, por exemplo.

“Há um mês, o DPT recebeu uma caixinha com diversos comprimidos diferentes e foi necessário fazer testes em cada um deles, para que fosse identificada cada amostra, porque cada uma delas tinha uma embalagem diferente, uma cor diferente, um símbolo diferente, então, precisava fazer essa identificação”, detalha a perita Márcia.

Após a identificação das drogas, o laboratório emite um laudo, que é enviado para quem solicitou os testes. Apesar do avanço, em algumas situações o laboratório não consegue fazer a comparação que aponta quais são os princípios ativos. Nesse caso, as amostras são enviadas à Polícia Federal ou à Universidade de Brasília (UnB), que mantém parceria com o DPT.

Essa identificação também serve como base para a lista da Anvisa, que recebe as listas de todos os estados com as apreensões de substâncias com uso abusivo, o que possibilita que essa lista seja atualizada com frequência.

Por meio da assessoria de comunicação, a Anvisa informou que a inclusão de substâncias é exclusividade da agência, mas ocorre após encaminhamento da Polícia Federal. “Para a inclusão de substâncias ilícitas é necessária uma solicitação formal do  Departamento de Polícia Federal (DPF). É o DPF que tem o papel de investigar e identificar o uso dessas novas drogas e, caso necessário, comunicar à Anvisa”, diz a nota.

Após receber o ofício, a  Anvisa leva cerca de um mês para analisar o pedido, e avaliar em qual lista a substância deve ser incluída. Nesse período, a agência também analisa qual o risco sanitário da substância e se ela possui alguma finalidade terapêutica.

*Fonte: Correio da Bahia

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